domingo, 3 de julho de 2011

Especial: Brasil tratou mal a saúde dos soldados da borracha

Em doutorado comentado pelo governador Tião Viana, médico Marcelus Negreiros mostra que houve “pouquíssimo” cuidado com a saúde dos heróis nordestinos

Todos os anos, o mundo comemora a vitória dos países aliados na Segunda Guerra Mundial. Também festeja a ajuda que o Brasil deu produzindo borracha para fabricar o armamento que permitiu aos aliados alcançar a vitória. Do ponto de vista oficial, tudo transcorreu bem. Tudo foi um sucesso desse lado ocidental. Mas pouca gente sabe a que custo se deu, de fato, a propalada ajuda brasileira.
Para o médico e professor Marcelus Antonio Motta Prado de Negreiros, da Universidade Federal do Acre (Ufac), a ajuda aos aliados, no entanto, foi baseada em muita, mas muita falta de cuidados dos governos brasileiro e norte-americano com a saúde dos milhares de nordestinos que vieram para a Amazônia produzir borracha.
A constatação do médico Marcelus está nas diversas entrevistas que fez com os próprios soldados da borracha para embasar a tese de doutorado que acaba de apresentar e aprovar na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), falando dos cuidados dispensados à saúde dos brasileiros que produziram borracha durante a Segunda Grande Guerra, dentro do acordo firmado entre o Brasil e os Estados Unidos.
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NORDESTINOS partem felizes para a terra do “Deus novo” prometida pelos governos brasileiro e norte-americano
“Pretendi resgatar as memórias e histórias sobre o cuidado da saúde desses brasileiros que foram submetidos a vulnerabilidades e traumas culturais, sociais, familiares e de saúde, em prol de acordo que rendeu ao governo brasileiro pouco mais que o Banco da Amazônia e a Usina de Aço de Volta Redonda (RJ)”, assinala Marcelus Negreiros, 38 anos, casado com a médica Márcia Vasconcelos, pai de dois filhos e amazonense residente no Acre há quase 10 anos.
Em sua tese de doutorado, intitulada “Trajetórias e memórias sobre a saúde dos soldados da borracha em seringais do Acre”, que teve entre os cinco doutores da banca examinadora da USP o médico e governador Tião Viana, o doutor Marcelus Negreiros destaca que houve “pouquíssimo” cuidado com a saúde dos soldados da borracha.
“O jovem trabalhador era deixado à míngua, sem qualquer proteção prometida no ato de seu alistamento”, assinala o médico, ao ressaltar que o cuidado com a saúde dos soldados da borracha esteve diretamente relacionado aos maus bocados pelos quais passaram os bravos nordestinos que vieram para a Amazônia.
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MARCELUS Negreiros (D) defende tese para examinadores da USP, entre eles o convidado Tião Viana

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